Relatório de Desigualdades Raciais


Olá, o relatório mencionado a seguir apresenta fatos ainda preocupantes sobre a realidade social brasileira e indica caminhos para mudar esta realidade.
Relatório das desigualdades raciais no Brasil é apresentado no Recife

O Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil será lançado no Recife no próximo dia 25 de março (quarta-feira), às 18h30, na Livraria Cultura. O material, organizado pelo Laeser, do Instituto de Economia da UFRJ, revela dados sobre:

·  a evolução demográfica recente da população brasileira;

·        o perfil da mortalidade brasileira segundo a cor ou raça;

·        as desigualdades no acesso ao sistema de ensino;

·        a dinâmica de mercado de trabalho;

·        o acesso ao poder institucional, políticas públicas e Marcos Legais, entre outros indicadores.

Durante o evento, um dos organizadores da publicação, o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Marcelo Paixão, irá apresentar as conclusões da pesquisa. Para este debate, foi convidada a advogada e conselheira gestora do Observatório Negro, Ana Paula Maravalho (PE).

A publicação contou com apoio da Oxfam Novib, Fundação Ford, Uniafro, Memória do Trabalho. O acesso é gratuito.

Pernambuco na pesquisa

·        Terras quilombolas

A pesquisa aponta que em 2008, das terras quilombolas reconhecidas, 23% ficavam na Bahia; 11%, no Maranhão; 8,9%, em Minas Gerais; 8,2%, no Pará; e 8%, em Pernambuco. Assim, os cinco maiores estados quilombolas correspondiam a 59,1% do total de comunidades reconhecidas. Chama atenção a baixa proporção de comunidades tituladas, em relação às estimadas, nos estados de maior concentração de quilombolas. Assim, no Pará a proporção era de 21,3%, a maior em todo o país. Nos demais estados de maior concentração de  remanescentes de quilombos: Mato Grosso, 8,1%; São Paulo, 5,6%; Maranhão, 3,5%; Pernambuco, 1,7%; Bahia, 0,9%; e Minas Gerais, 0,4%.

Feriados nacionais

No Brasil, existem, 11 feriados nacionais, sendo seis do calendário cristão (um específico do calendário da Igreja Católica Apostólica Romana) e cinco datas cívicas. O Dia Nacional da Consciência Negra ainda não se constituiu em feriado nacional. Mesmo assim, de acordo com a Seppir, até novembro de 2007, 258 dos 5.561 municípios em todo o país (4,6% do total) adotaram a data como feriado. Esses municípios estão assim distribuídos: Alagoas (um município de um total de 102 existentes); Goiás (um de 246); Minas Gerais (um de 853); Mato Grosso (por ser um feriado estadual, todos os 141 municípios); Pará (dois de 143); Paraíba (dois de 223); Pernambuco (um de 185); Rio de Janeiro (por ser um feriado estadual, todos os 92 municípios); Rondônia (um de 52); Sergipe (um de 75) e São Paulo (21, incluindo a capital, de 645). Apesar de as duas maiores capitais (São Paulo e Rio de Janeiro) terem adotado essa data como feriado comemorativo, nota-se que 90,2% do total de municípios com iniciativa idêntica se concentravam no Mato Grosso e no Rio de Janeiro, bem longe da disseminação por todo o país.

Crimes de racismo

Foram compiladas informações sobre os acórdãos proferidos de recursos interpostos (nas áreas criminal e penal) sobre casos de racismo e discriminação racial de treze Tribunais de Justiça do país:

Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. O período de análise foi de 1º de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2006. A base de dados compreendeu 85 casos.

Quanto à fonte dos recursos ordinários, ou seja, acórdãos provenientes de decisões de primeiro grau, de natureza civil ou penal, percebe-se que 40% dos processos foram julgados como de mérito improcedente.

Ou seja, o juiz analisou a questão e concluiu que a vítima não tinha razão. Em 5,9% dos casos, o processo foi julgado improcedente sem mérito. Isso implica que o magistrado não analisou a matéria de direito e de fato, permitindo que a vítima possa propor nova ação, isto é, conferindo, ao autor da causa, nova chance na defesa de seus direitos. Os processos que foram julgados procedentes corresponderam a 35,3% dos casos e a procedência, em parte, correspondeu a 14,1%, juntos totalizando 49,4% dos casos. Isto quer dizer que as vítimas, para o período estudado, ganharam mais do que perderam nos processos de primeiro grau.

Quando da análise das decisões dos desembargadores nos Tribunais de Segunda Instância, verificou-se que as vítimas das ações por crime de racismo ganharam em 32,9% dos casos apresentados, enquanto os réus venceram em 57,7%. Isto mostra que, na fase de segundo grau, os réus vêm levando vantagem, tendo alteradas as decisões de primeiro grau, vencidas, na maioria, pelas vítimas.

Resumo dos capítulos do Relatório

Capítulo 1 – Apresentação

Apresenta, sob a forma de um jogo de perguntas e respostas, os principais objetivos do Relatório, qual a natureza dos dados utilizados e sua relevância para discussão da equidade racial no Brasil.

Capítulo 2 – Evolução Demográfica Recente da População Brasileira segundo a cor ou raça.

Analisa o movimento dos principais indicadores demográficos da população brasileira desagregada pelos contingentes de cor ou raça no interregno 1995-2006.

Capítulo 3 – Perfil da Mortalidade da População Brasileira.

Apresenta um panorama do perfil da mortalidade desagregada pelos grupos de cor ou raça.

Capítulo 4 – Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino.

Evolução dos indicadores educacionais da população brasileira desagregado pelos grupos de cor ou raça dentro do período 1995-2006.

Capítulo 5 – Desigualdades na Dinâmica do Mercado de Trabalho.

Analisa os movimentos recentes da dinâmica do mercado de trabalho brasileiro e seus efeitos sobre as assimetrias de cor ou raça no período de onze anos compreendido entre 1995 e 2006.

Capítulo 6 – Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça.

Analisa diversos aspectos da qualidade de vida no plano material. Prioriza a análise quanto ao rendimento domiciliar e as medidas de concentração de renda e indicadores de carência material (pobreza e indigência) assim como o efeito dos programas governamentais de transferência de rendimentos nesses indicadores.

Capítulo 7 – Acesso ao Poder Institucional, Políticas públicas e Marcos Legais.

Analisa o grau de acessibilidade da população negra aos espaços decisórios de poder, bem como aos demais mecanismos de reforço de suas condições políticas de atuação no espaço público.

São abordados temas tais como: a cor do poder político e institucional no Brasil; comunidades remanescentes de quilombos; orçamento da União em políticas de ação afirmativa e de eqüidade racial; produção de bases de dados contendo a variável cor ou raça; dimensões simbólicas das desigualdades: feriados e bens tombados e resultados dos julgamentos dos casos de racismo no Brasil nos tribunais de segunda instância.

Capítulo 8 – Conclusão Geral do Relatório.

Apresenta um apanhado geral de todo estudo desenvolvido no Relatório, pontuando os indicadores mais relevantes de cada capítulo.

O Relatório, além dos seus oito capítulos temáticos, igualmente contém 83 gráficos, 90 tabelas, 37 boxes, 10 quadros e 13 mapas temáticos, se constituindo em um dos maiores esforços realizados até o momento em nosso país de sistematização e estudo da evolução de indicadores sociais, de diversas fontes, dentro do tema das relações e desigualdades sócio-raciais.

Um grande abraço

Marcelo Rachid de Paula
Alavanca Social – Assessoria no 3º Setor
marcelo.rachid@gmail.com
marcelo.rachid@bol.com.br
marcelo.rachid@hotmail.com (msn)
rachidao1955 (skype)
011-3379-8176
011-7655-2347
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“Construindo a base para o crescimento”
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Faça todo o bem que você puder,
com todos os recursos que você puder,
por todos os meios que você puder,
em todos os lugares que você puder,
em todos os tempos que você puder,
para todas as pessoas que você puder,
sempre e quando você puder.”
( John Wesley )
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Crise: ficção, interesse ou realidade?


Crise: ficção, interesse ou realidade?

“Quem pensa segundo a opinião dos outros, está muito longe de ser um homem livre.”

Os acontecimentos atuais, a perturbação constante pairando sobre nossas cabeças, induzindo opiniões e criando fantasmas que se encontram constantemente escondidos em nosso ser, estão transformando nações e oferecendo um cenário preocupante para a geração atual e as futuras. O mundo e suas necessidades, quase sempre, giram em torno das carências materiais dos seres humanos que, mergulhados em seus interesses, crises existenciais e paradigmas, não conseguem enxergar a realidade dos fatos.

Observem, por exemplo, a atual crise mundial, “instaurada” a partir de acontecimentos nos EUA, que acabaram provocando uma grande preocupação em todas as partes do mundo. Até que ponto trata-se de um fato consumado ou mera conveniência para ocultar situações de interesse de uma minoria poderosa? Acredito muito na força da informação que, se conduzida “apropriadamente”, pode transformar qualquer cenário.

Observem que, até setembro de 2008, todas as economias do mundo estavam aquecidas e se comunicando entre si, gerando situações favoráveis para a maioria dos envolvidos. Porém, no momento em que situações “adversas” ocorridas nos EUA foram “divulgadas”, a palavra “Crise Mundial” se instaurou em todo o mundo gerando pânico e medo. A partir daí, bancos quebraram, empresas fecharam suas portas, economias supostamente estáveis e fortes recuaram e a ameaça do desemprego tornou-se uma realidade.

Olhando esse panorama, fica muito difícil acreditar em tudo o que está acontecendo. Os interesses pessoais e a manipulação de idéias estão a serviço de quem e com que propósito? É lógico que existem fatos e situações que são uma realidade, porém, a maior parte se origina da esperteza e oportunismo de grupos poderosos que somente lucram com estas situações. As informações, quando bem conduzidas pela mídia, criam e reforçam a idéia de que tudo está um caos e, como num passe de mágica, tudo se transforma provocando situações que paralisam a todos. A partir daí é “cada um por si e Deus por todos”, congelando o que o ser humano tem de mais sublime, que é a força do pensamento e de seus sonhos.

Para vencer essa batalha (e digo batalha por se tratar somente de mais um episódio na vida deste planeta), vejo que uma melhor preparação das pessoas, através da educação oferecida em todos os níveis e para todos, passa a ser uma necessidade crucial para que gerações futuras possam extirpar de vez manobras interesseiras como essas e construir um mundo solidário, proporcionando somente benefícios para todos os povos e não somente para alguns poucos privilegiados.

O povo brasileiro é um povo sonhador, solidário e lutador e, por isso, tem um lugar reservado na relação das grandes potências do mundo num tempo não muito distante. E, tenho certeza, pode utilizar essa característica para modificar o cenário que aí se encontra. Conheço pessoas e presenciei fatos que puderam comprovar essa realidade e, em todas essas situações, houve resultados de destaque, provocando mudanças favoráveis.

Mudar esse cenário é preciso, fazer reaparecer a esperança e não o medo é uma necessidade e construir uma base sólida para o futuro é um objetivo que deve ser alcançado por todos os seres desse planeta. Vamos modificar tudo isso com muito trabalho, planejamento e sabedoria, nos concentrando em nossas crianças, base de nosso futuro, para que estejam aptas para conduzir o mundo, proporcionando a elas uma visão mais humana e progressista, menos materialista, diferente de tudo o que aí se encontra há muito tempo e que precisa ser modificado.

Marcelo Rachid de Paula – 20/02/2009

Captação de Recursos: Problema ou Solução


Captação de Recursos no 3º Setor: Problema ou Solução ?

Definições em Dicionário da palavra Captar

1. Atrair para si, granjear, conquistar

2. Granjear por meios astuciosos ou fazendo valer o próprio mérito.

Uma definição que não condiz com realidades do universo que envolve o 3º Setor.

E porque digo isso ?

Muito mais que a palavra, a captação é uma das principais ferramentas para que sonhos, idéias, desejos e projetos sejam realizados. E digo uma das principais devido ao ingrediente mais importante em todo e qualquer processo, que é a presença do Ser Humano, que aliado à sua capacidade de realização, força, desejo e livre arbítrio, pode transformar e conseguir tudo o que almeja.

Não que a definição no dicionário não esteja correta, porém, apenas mostra o significado de uma forma bem simplista, não contendo aí o resultado do trabalho individual de cada ser envolvido em um processo de captação.

Antes de tudo, a Captação de Recursos deve estar inteiramente atrelada às necessidades das instituições, colocando-a num patamar de importância devida para que os projetos se realizem, porém, nunca colocá-la acima das necessidades do objetivo que se deseja atingir, que são as comunidades e o meio ambiente, que são beneficiadas com os resultados.

O sucesso da Captação deve estar atrelado à Missão da Instituição e a sua realização tem que acontecer de forma “vertical”.

E porque vertical? Porque a intenção verdadeira de que o projeto é importante tem de nascer inicialmente das pessoas que comandam, procurando transmitir a todos os outros colaboradores (principalmente o voluntariado) a importância, a necessidade e os benefícios para todos os envolvidos.

O que observo em minhas visitas a Instituições do 3º Setor, é a inoperância das pessoas que estão comandando, deixando para poucos abnegados, a tarefa de “correr” em busca dos recursos.

Fazendo uma simples comparação, podemos imaginar a figura de uma pirâmide, que traduz a realidade do que estou querendo expor. Usando pirâmide como referência, temos o seu topo, que podemos definir como o universo de pessoas que comandam a organização e logo abaixo, temos todos aqueles que completam este quadro, que são os colaboradores e tudo o que envolver a natureza do projeto, inclusive a parte assistida.

Tudo tem de estar interligado, todas as pessoas tem de estar diretamente envolvidas com o principal propósito da instituição, que é servir de ferramenta para que tudo se realize e traga todos os benefícios imaginados. Desejos pessoais, vaidades, postura crítica, são ingredientes nocivos a qualquer campanha de Captação de Recursos e que impedem a realização do todo.

Juntamente com o desejo da realização, está a maneira organizada e profissional com que os detalhes vão sendo elaborados e lapidados, sendo necessária a correta preparação de todas as pessoas envolvidas no processo.

Certa vez, em um dos diversos cursos que fiz para conhecer e me preparar melhor, para atuar no 3º Setor, ouvi uma frase de uma instrutora que creio define bem tudo o que desejamos conseguir em nossas vidas: “Para que tudo tenha sucesso, procurem sempre administrar soluções, deixando os problemas em plano secundário”

Vejam sempre como uma grande solução!

Nos processos de captação, sejam elas, humanas, financeiras ou materiais, o mais importante é o comprometimento total e de todos com a causa, buscando sempre soluções que superem problemas e que tragam o desejado.

Captação, antes de qualquer coisa, é o desejo e a alma de quem procura e está envolvido no processo e a união de todas as partes passa a ser de fundamental importância para o sucesso de todos os empreendimentos.

Marcelo Rachid de Paula 24/02/2009

FORUM DE PLATAFORMAS


Fórum de Plataformas Nacionais de ONGS se reencontra durante o FSM

No dia 30 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial em Belém, Plataformas Nacionais de ONGS encontraram-se para dar seguimento à criação do Fórum de Plataformas Nacionais de ONGS. O encontro, promovido pela Coordination SUD em parceria com a ABONG, teve o objetivo de avançar nas propostas para a governabilidade do Fórum e nas suas temáticas.

O Fórum pretende facilitar a cooperação entre as associações nacionais de cinco continentes e as coalizões regionais de ONGs nos níveis regional, inter-regional e internacional. No encontro em Paris, definiram-se seis temas prioritários a serem trabalhados no âmbito do Fórum, são eles: Financiamento ao Desenvolvimento, Mudança Climática, Regulação dos Mercados Agrícolas, Acesso à água e saneamento básico; Resolução e Prevenção de Conflito e Desigualdade social e Exclusão.

Para saber mais sobre o Fórum de Plataformas Nacionais de ONGs, acesse: http://www.abong.org.br/final/informes_pag.php?cdm=19347

O DIREITO DAS CRIANÇAS


UNICEF DIZ QUE DIREITOS DAS CRIANÇAS SÃO VIOLADOS EM TODO O MUNDO


di De Andrade

Genebra, 20 nov (RV) – Os direitos das crianças são maciçamente violados, em todo o mundo, em numerosos aspectos, afirmou nesta quinta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) por ocasião do Dia Universal da Criança.

As crianças são alvo de violência, exploração, abusos, falta de saúde, doenças como a AIDS, deslocamentos por conflitos armados, ausência de educação e muitas outras formas de violação de seus direitos, apesar de a Convenção dos Direitos da Criança existir desde 1989.

Bastam alguns exemplos, para nos darmos conta de tais violações:

_ Cerca de 51 milhões de nascimentos ficam sem registro a cada ano nos países em desenvolvimento. Além disso, cerca de 218 milhões de crianças, de 5 a 14 anos, estão envolvidos em trabalho infantil.

_ Nos países em desenvolvimento, mais de 60 milhões de mulheres, de 20 a 24 anos, foram casadas antes dos 18 anos; 31 milhões delas vivem no sul da Ásia.

_ Calcula-se que 1,2 milhão de crianças são vítimas do tráfico de menores a cada ano.

_ Mais de 300 mil crianças-soldado, algumas de apenas 8 anos de idade, são exploradas em conflitos armados em mais de 30 países. Além disso, calcula-se que mais de dois milhões de crianças morreram, desde 1990, como resultado direto de conflitos armados.

_ Mais de um milhão de crianças, no mundo todo, são detidas pelas forças de segurança.

_ Aproximadamente 143 milhões de crianças são órfãos de um ou dos dois progenitores.

_ Calcula-se que cerca de 70 milhões de mulheres e meninas que estão vivas atualmente, foram submetidas a algum tipo de mutilação genital.

_ Existe a suspeita de que cerca de dois milhões de crianças são exploradas através da prostituição e da pornografia.

_ Quarenta milhões de crianças com menos de 15 anos sofrem abusos ou negligências, no que se refere aos cuidados sanitários e sociais.

Para agravar a situação, a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT) afirmou, nesta quinta-feira, que o princípio da proibição total da prática da tortura foi prejudicado nos últimos anos, por relativismos políticos, econômicos e sociais, o que não deixou à margem as crianças.

“As crianças não se livraram das graves violações dos direitos humanos provocadas pela chamada guerra contra o terrorismo” _ disse o UNICEF, citando como exemplo que, desde 2002, “muitos jovens com menos de 18 anos foram capturados e detidos em centros de detenção dos EUA no Afeganistão, no Iraque e em Guantánamo”.

Na área econômica, a busca de grandes lucros deixou as crianças expostas a graves riscos como a prostituição e a pornografia, e em relação ao “relativismo cultural”, as crianças e, de modo especial as meninas, são vítimas de costumes como a mutilação genital ou os crimes de honra, informou a OMCT. (AF)

Comentário do Pe. Cesar Augusto dos Santos S.J.

Ultimamente tem sido mais freqüente, a mídia nos comunicar que menores foram e continuam sendo vítimas do egoísmo dos adultos. Aqueles que deveriam protegê-los e facilitar-lhes a transformação em homens e mulheres sadios, física e psicologicamente, não o fazem. Ao contrário, infelizmente o que chega até nós são as informações de que são os responsáveis por eles que violam seus direitos, todos os seus direitos.
Quando, no tempo litúrgico do Natal, refletimos sobre a passagem da morte dos inocentes, ficamos revoltados e imediatamente condenamos o rei Herodes. Mas a história continua e até com agravantes impensáveis. Muitas vezes os relatos são tais que transformam Herodes em carrasco simpático, se é possível haver carrasco com esse adjetivo. Se condenamos o faraó e Herodes por terem determinado a morte de crianças só para manterem-se no trono, o que dizer de homens e mulheres que, abusando de seu poder, destroem, por puro egoísmo, a vida de crianças e jovens, obrigando-os a servirem como militares e seguranças de ideologias políticas e do crime organizado, além da costumeira perversão de transformá-los em objetos de lucro e de prazer.
Como cristãos terminemos nossa reflexão perguntando ao Mestre sobre seu posicionamento a esse respeito. Ele nos responde: “Caso alguém escandalize um desses pequeninos que crêem em mim, melhor seria que lhe dependurassem ao pescoço uma pesada mó e fosse precipitado nas profundezas do mar.”

Fonte: http://www.radiovaticana.org/BRA/Articolo.asp?c=246510

ÚLTIMAS DA FRENTE BRASILEIRA DO 3º SETOR


São Paulo, 04 de fevereiro de 2009

Líderes confirmam votação de duas MPs nesta quarta-feira

Após a reunião do colégio de líderes com o presidente da Câmara, Michel Temer, os deputados Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo, e José Aníbal (PSDB-SP), líder de seu partido, confirmaram nesta terça-feira que as medidas provisórias 443/08 e 446/08 serão os primeiros itens da pauta de votação do Plenário desta quarta-feira (4).

A primeira MP autoriza o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal a comprar participações em bancos e outras instituições financeiras com dificuldades. Já a segunda MP modifica as regras para certificação de entidades filantrópicas. As duas trancam a pauta de votações.

O presidente Temer informou que vai entrar em contato com o presidente do Senado, José Sarney, para saber como a MP das Filantrópicas (446/08) pode ser enviada para a Câmara por conta da pendência que existe sobre o assunto.

Devolução

Em novembro, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, devolveu a MP ao Executivo, com o argumento de que a matéria não atendia os requisitos constitucionais de urgência e relevância. Mas o Senado não tinha prerrogativas para tal. Na semana passada, o Conselho Nacional de Assistência Social baseou-se no texto da medida provisória para renovar 4.100 certificados de entidades filantrópicas.

De acordo com o presidente Temer, o secretário-geral da Mesa Diretora está conversando com o secretário-geral da Mesa do Senado para avaliar o melhor trâmite regimental a ser feito no caso.

Decreto legislativo

Segundo Henrique Fontana, ao mesmo tempo que rejeitar a MP 446/08, o Plenário aprovará o decreto legislativo que dá validade às decisões com base nessa MP. Ele ressaltou, entretanto, que não houve nenhuma tipo de anistia para as entidades filantrópicas, que continuam sendo fiscalizadas pelo governo.

No entanto, o deputado José Aníbal disse que a oposição não tem compromisso com o mérito dos assuntos, mas sim com a apreciação dessas MPs. Já o novo líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que é impossível que esse decreto legislativo seja votado amanhã, porque, segundo ele, as oposições não sabem os termos desse decreto e, regimentalmente, a comissão que deveria analisar a MP teria 15 dias para elaborá-lo.

Fonte: Tempo real – 03/02/2009  16h31


A Primeira Infância


Boa tarde !

Onde queremos chegar ?   O que nos reserva o futuro ?

Perguntas difíceis de responder, até porque para a realização de alguma coisa, seja ela qual for, dependerá com certeza de um bom planejamento, uma boa preparação e o trabalho aliado ao esforço que cada um pode oferecer.

As nações do mundo todo, independente de crenças, raças, tradições, necessidades e interesses, etc., procuram sempre fazer a preparação de uma boa base para que o futuro possa ser da maneira planejada.  Esta condição, sem dúvida nenhuma, repousa em nossas crianças,  já que são elas que herdarão tudo aquilo que nos envolve diretamente.   Se queremos transformar, é preciso que a educação de nossas crianças seja sólida para que  as gerações futuras possam ser os agentes principais desta nova realidade.  Esta situação, para ser alcançada, vai depender de todos nós (pais, sociedade, instituições privadas e governo) e individualmente podemos fazer a diferença em nosso meio, catalizando a força que pode vir a transformar a realidade de cada um e formar os homens que comandarão amanhã, em pessaoas mais justas e menos egoístas.

Observando atentamente os noticiários aqui no Brasil e em vários países do mundo, é que esta base está seriamente comprometida devido a políticas públicas mal elaboradas e interesses pessoais cada vez mais expostos à opinião pública, não oferecendo subsídios para mudanças.

Nossas crianças precisam de ajuda, carinho, condições favoráveis e muito repeito, necessitam do apoio da família e comunidade para que as pessoas que comandam, regem e fazem as leis, possa olhar com mais carinho para elas, a fim de mudar um cenário que pode continuar até se acabar por completo e da pior maneira possível se nada for feito agora !

Vamos protegê-las e dar todas as condições para que tudo se transforme numa realidade melhor para todas as gerações futuras.

A entrevista abaixo dá uma idéia das necessidades  de nossas crianças e de planos que as envolvem no Brasil.

Marcelo Rachid de Paula – 04/02/2009

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Primeira Infância em primeiro lugar!

alt textGustavo Amora é cientista político, mestre em ciência política pela Universidade de Brasília e responsável pela Secretaria Executiva da Rede Nacional Primeira Infância. Conversando com o Portal, Gustavo fala sobre o Plano Nacional pela Primeira Infância e da importância do cuidado com esta fase na vida das crianças. Confira!

O que é a primeira infância?

Gustavo Amora – Primeira Infância é o período compreendido entre o nascimento e os seis anos de idade. Há quem defenda o período de zero a oito anos, mas a maioria dos pesquisadores e instituições da área defende a primeira acepção do termo. A Primeira Infância é um período fundamental na vida do ser humano, e para isto é preciso que haja o acompanhamento por parte da família, sociedade e Estado. Isto garante em um primeiro momento o cuidado e os estímulos necessários para o bebê, e ao longo dos anos posteriores possibilita que se aprofunde o desenvolvimento da fala e da inserção em um meio social que a respeite e valorize. Os três primeiros anos de vida são os mais delicados e os que garantem saúde e desenvolvimento pleno na vida adulta. Nas discussões dentro da Rede, costumamos falar que a criança não é o futuro do país, como a maioria das pessoas costuma afirmar, mas sim o presente, ou seja, um sujeito de direitos que possui nome, história, intersubjetividade e desejos, sem falar na sua liberdade.

Qual é a importância do Plano?

Gustavo Amora – Ao longo dos últimos anos, a Rede discutiu profundamente sobre qual seria a estratégia mais eficaz para fazer com que a sociedade brasileira e suas lideranças políticas percebessem a importância da Primeira Infância. Neste meio tempo, as organizações membros da Rede fizeram questão de reafirmar a constatação de que o Brasil já possui um arcabouço legal considerável no que se refere à infância, um exemplo é o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, que é um avanço legal até quando comparado às democracias mais consolidadas do mundo. Neste momento, a Rede se fez a seguinte pergunta: “- Se já existem tantas leis que protegem a infância, porque então a realidade do país parece apontar para o seu abandono?” Neste momento é que surgiu a idéia do Plano Nacional pela Primeira Infância, onde suas principais características seriam:

  • 1º Abrangência – Significa que os direitos da criança vão além daqueles tradicionalmente reconhecidos como direito à vida, segurança, educação, saúde, etc. Conforme está escrito no Plano Nacional, estamos falando de direito à convivência familiar, convivência comunitária, integridade física, psicológica e moral, direito de brincar, que implica o direito a ter brinquedos e espaço e tempo de brincar, direito à cultura etc.
  • 2º – Participação Social – A Rede e, por conseguinte o Plano Nacional foram elaborados a partir de ampla participação social que incluiu segmentos da sociedade civil de dentro e fora da Rede – como é o caso desta consulta pública em que estamos discutindo com a sociedade as diretrizes do Plano. Além disso, a Rede também se compõe por alguns órgãos e entidades governamentais como o Ministério do Desenvolvimento Social, Educação, Saúde, o IBGE e etc. Deste modo, quando o Plano for apresentado ao governo, é possível que ele não seja mais uma novidade para o Executivo, o que em tese pode agilizar sua tramitação.
  • 3º – Plano de Estado – A idéia de aprovar um plano de Estado é fazer com que as políticas implementadas por ele não sejam obra deste ou daquele governo, o que lhe renderia um caráter transitório e até eleitoreiro. A idéia é que o Plano seja absorvido pelas funções permanentes do Estado.
  • 4º – Longa duração e aprovação por Lei – O plano deverá ter a duração de quatorze anos (2009-2022) o que irá garantir metas de curto e médio prazo e que permitirá ações efetivas e transformadoras em termos de políticas públicas. Além disso, será aprovado pelo Congresso Nacional, o que denota a discussão pluripartidária do tema e a efetivação dos direitos ali garantidos.

O restante do conteúdo da entrevista vejam no link a seguir:

http://portaldovoluntario.org.br/blogs/54330/posts/2062

CRISE ?


O artigo abaixo nos remete a fazer uma reflexão sobre as consequências da “crise” mundial que se instalou oficialmente desde outubro/2008.  Porque digo “oficialmente” ?   Porque enquanto ela não foi devidamente divulgada e noticiada, todos os mercados e países do mundo estavam trabalhando e criando novos meios e condições para seu próprio crescimento e também para o benefício global.   Bastou ela ser divulgada que, como num passe de mágica, Bancos quebraram, empresas faliram, outras já começaram a falar em demissões em massa,….e por aí afora.

Até onde se estende verdadeiramente a atual crise e até que ponto a ganância de alguns e esperteza de outros contribuiram para que ela se tornasse ainda maior do que realmente é ?  Ou será que o ser humano somente desperta para a realidade depois do fato consumado e divulgado ?  Até onde a manipulação de informações pode influenciar o todo ?

Estas são apenas algumas de milhares de indagações que podem ser feitas e com milhares de versões diferentes em suas respostas e avaliações.

O Terceiro Setor veio para ficar e fortalecer bases e necessidades já existentes.  Creio que este é mais um teste que deveremos passar, onde o fortalecimento de idéias e o desejo de realizar, aliadas a novas tendências, podem fazer a diferença nos resultados obtidos em seus projetos sociais e ambientais.   Vamos usar toda a criatividade que as pessoas possuem, todos os meios e recursos tecnológicos e principalmente uma característica chamada “Solidariedade” que está latente em todos nós !

Marcelo Rachid de Paula – 21/01/2009

Terceiro Setor deve sofrer forte impacto com a Crise Econômica

Para sobreviver, empresas apertarão o cinto, e projetos sociais ficarão em segundo plano; Segundo especialistas, crise global será importante teste para avaliar se as empresas manterão a atual onda voltada à sustentabilidade.

A crise financeira global acertará em cheio a onda de sustentabilidade que o mundo corporativo viu crescer nos últimos anos. Enquanto o financiamento para as organizações e projetos sociais acusa os primeiros sinais de aperto, em diversas empresas a preocupação com a área socioambiental começa a ceder espaço para a preocupação com a própria sobrevivência financeira.

Ainda que ninguém conheça ao certo a dimensão e os efeitos da crise sobre a economia real, especialistas ouvidos pela Folha são unânimes em afirmar que ela será um importante teste para a continuidade – ou a interrupção – dessa onda.

Em um primeiro momento, as estruturas de financiamento do chamado terceiro setor (representado pelas iniciativas da sociedade civil com caráter de utilidade pública) tendem a ser as mais afetadas devido à crise internacional.

“Estamos justamente em um momento de planejamento e, como o cenário para o próximo ano ainda é incerto, a tendência é o setor privado apertar o cinto no repasse de recursos ao terceiro setor. É um contexto preocupante para o terceiro setor como um todo e para o investimento social privado em particular”, afirma Fernando Rossetti, secretário-geral do Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), entidade que reúne os principais investidores sociais privados do país.

O aperto financeiro, que em alguma medida também virá do setor público, ocorre em um ambiente em que a competição por recursos já estava acirrada, resultado do aumento no número de organizações e das exigências mais rígidas por parte dos financiadores. E coloca em xeque a própria sustentabilidade de algumas organizações.

No Brasil, esse aperto tende a ser reforçado por uma característica local: a origem dos recursos repassados ao terceiro setor guarda estreita relação com os resultados das empresas em cada ano.

“As organizações que conseguiram diversificar o seu modelo de sustentabilidade, diversificando as fontes de receitas, são as mais bem preparadas para passar por essa crise. As que não fizeram isso tendem a ser mais prejudicadas”, afirma Rossetti, lembrando que esse movimento já ocorreu em outros países, como os EUA.

Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/site/noticia.asp?id=10860

Por André Palhano

Colaboração para a Folha

Fonte: Folha de S. Paulo